Este livro eu descobri numa viagem em 2007. Entrei numa livraria em Auckland e perguntei se havia alguma publicação recente sobre o tema da cor. Fiquei intrigada com o título. Não era bem o que eu esperava, mas resolvi comprar.

Não me arrependi. Trata-se de uma instigante crítica a repeito dos preconceitos ocidentais em relação às cores e suas mensagens, que me impressionou e influenciou significativamente na elaboração da minha pesquisa de doutorado (uma reflexão sobre os usos criativos da cor, FAU USP 2008-2012).

David Batchelor, o autor escocês que vive em Londres, além de escritor é um artista contemporâneo que explora sensações inusitadas com as cores em seus trabalhos e instalações com efeitos luminosos e transparências (veja em http://www.davidbatchelor.co.uk/).

Depois de ler o livro, é possível compreendermos melhor a sua arte, e sua “cromofilia” – termo que define aqueles que não temem a corrupção pela cor, mas, ao contrário são seus defensores e exploradores. Em seus trabalhos percebemos como ele procura questionar os padrões de interpretação da cor e da luz na leitura dos objetos. Brinca com inversões: sombras luminosas, barreiras translúcidas, cascas com a superfície escura e a substância luminosa etc.

Segue a tradução da sinopse da versão em inglês, encontrada no site da Amazon: 

“O argumento central de Chromophobia é que um impulso cromofóbico – medo de corrupção ou de contaminação através da cor – se esconde na cultura e no pensamento intelectual ocidental. Isto é evidente nas muitas e variadas tentativas  para purgar a cor, seja tratando-a como característica de um “corpo estranho” – o oriental, o feminino, o infantil, o vulgar, ou o patológico – ou relegando-a ao reino do superficial, complementar, inessencial, ou da estética.

A cromofobia foi um fenômeno cultural desde os tempos da Grécia antiga, este livro está preocupado com as formas de resistência a ela. Escritores tendem a não ultrapassar o final do século XIX. David Batchelor procura ir além dos limites de estudos anteriores, analisando as motivações por trás cromofobia e considerando o trabalho de escritores e artistas que prepararam-se em olhar para a cor como um valor positivo. Explorando uma grande variedade de abordagens do imaginário, incluindo a “grande baleia branca” de Melville , reflexões de Huxley sobre a mescalina, e “Viagem ao Oriente” de Le Corbusier, Batchelor também discute o uso da cor na arte Pop, Minimal, e manifestações artísticas mais recentes.”

Felizmente já temos uma tradução do livro para o português – Cromofobia, ed. Senac-SP, 2010 – que em breve poderá ser adquirida também através do site do Universo da Cor, acesse: publicações/cromofobia

Fica aqui a dica! Tanto para os cromofílicos, como para os cromofóbicos!

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