Em dezembro recebi uma ligação da Mariana Mello de Moraes, da redação da revista Casa e Jardim. O assunto da matéria eram as tendências (apostas) de cores para 2014.

cores2014
Revista Casa e Jardim – dez.2013 / detalhe da matéria de Mariana Mello de Moraes

Como minha especialidade não é prospecção de tendências e sim comunicação visual das cores e percepção (neurobiologia da visão), procurei contribuir com algumas dicas, mostrando que as cores – tendência ou não – dependem do contexto para transmissão de sensações e significados.

Vejo de forma positiva o lançamento de uma tendência de cor. É um convite a reciclar associações antigas e deixar para trás alguns preconceitos. As cores são sensações com inesgotável potencial simbólico e associativo.

Uma das apostas para 2014 foi um tom de turquesa (ou azul esverdeado). Na reportagem, os objetos selecionados para representar esta cor, com formas e design sugestivo, somados aos nomes promocionais como, por exemplo, Lagoa Particular (Tintas Coral), são associações cognitivas (visuais e verbais) que nos induzem a concebê-la como algo novo e inusitado.

verde_azul
Revista Casa e Jardim – dez.2013 / detalhe da matéria de Mariana Mello de Moraes

Em outras palavras, cada tonalidade de cor funciona como um ator que pode interpretar diversos papéis. Dependendo do contexto, do design e do discurso do personagem, nós nos identificamos mais ou menos com ele. 

Além de todas essas influências, perceber as cores é um fenômeno que depende fundamentalmente dos seus contrastes com as cores e superfícies vizinhas.

No caso do azul esverdeado comentado acima, expliquei à Mariana que ele será percebido de maneira diferente em cada aplicação. Torna-se mais azul, por exemplo, quando cercado de verdes.

Porém, num contexto de superfícies claras, com predominância de lilases e rosa, o mesmo tom de turquesa torna-se mais pesado, e se transforma em verde, quase um verde bandeira.

Veja a seguir uma imagem elaborada no Universo da Cor para demonstrar essas transformações:

cor_asul_lago
O mesmo tom de verde azulado é percebido de maneira diferente. Cercado de verdes o tom parece mais claro e azulado. Já entre os tons de rosa e lilás, torna-se mais verde.

Tudo depende da conversa que a cor estabelece com o objeto e seu entorno, das transições para as cores vizinhas, do estilo da decoração e das referências culturais de quem interpreta esse cenário. O efeito das cores não é, portanto, um dado isolado. Trata-se de uma construção que envolve vários aspectos da nossa percepção, recebendo influência de outras esferas sensíveis, como a temperatura ambiente, ruídos sonoros, e o próprio estado de espírito de quem observa.

Por tudo isso eu sempre digo: não existe cor feia, e sim composições que agradam ou desagradam. 

Assim, que 2014 seja um ano inspirador! Permita-se deslumbrar com novos coloridos! 

Para ler outros posts sobre percepção da cor, acesse:

A sensação da cor: um presente da evolução
A cor da roupa altera a percepção do tom da pele
Iluminação e reprodução de cor em ambientes
A cor faz toda diferença na estamparia

Para ler a matéria da Mariana no site da Casa e Jardim, acesse: 

As cores de 2014 (Revista Casa e Jardim)

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